Dolores Reig comenta o estudo do Institute for the Future (IFTF), Future Work Skills 2020, disponível em PDF  que realiza uma interessante prospecção sobre as mudanças nas competências necessárias para os postos de trabalho no futuro:

Coincide com uma proposta de Jesús Martínez sobre os postos de trabalho do futuro no setor de conhecimento, trabalho colaborativo, etc. que começa a encontrar respostas no exercício que iniciamos… não é uma má idéia, como estão as coisas, abrir, além de um Community manager que está começando a se dedicar a múltiplas tarefas, futuros postos de ocupação.

Pego da tradução de Andrés Schuschny que os elementos que mudam, que determinam novas habilidades, competências e, acrescentando, profissões, são:

1. Longevidade extrema: O aumento da expectativa de vida a nível global mudará a natureza do que é uma carreira no mundo de trabalho e as formas de empreender qualquer iniciativa vinculada com a aprendizagem (a respeito disso, no último parágrafo descrevo uma nova profissão, o Especialista em Aprendizado).

2. A aparição das máquinas e sistemas inteligentes: A automatização no lugar do trabalho fará com que “os trabalhadores humanos” deixem de realizar tarefas rotineiras e repetitivas. (lembrar a importância de formar as capacidades ligadas ao hemisfério direito do nosso cérebro, assim como a idéia de que “agora que temos todas as respostas, falta formular as perguntas adequadas, que tomemos decisões sobre os caminhos a tomar).

3. A consolidação de um mundo computacional: A cada vez mais crescente presença de sensores e o poder ilimitado do processamento transformarão o mundo em um sistema programável (a profissão de analista de dados será a que trabalhará este aspecto).

4. A nova ecologia dos meios de comunicação: Que requer novas alfabetizações comunicacionais que vão além do mero texto. ( a profissão de especialista em comunicação e psicologia social será importante a este respeito).

5. A presença de organizações super estruturadas. As tecnologias sociais mobilizarão novas formas de produção e criação de valor.

6. Um mundo globalmente conectado. ( a mais importante e desautora , a que mudará com maior força o que conhecemos, especialmente quanto à emergência de um novo indivíduo, o indivíduo conectado, que deverá estudar e formar-se, como veremos)

As novas habilidades ou competências necessárias serão,  como podemos ver no gráfico:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  1. Dar sentido.
  2. Inteligência social.
  3. Pensamento adaptativo e novel: É a habilidade de pensar e encontrar soluções e respostas além do que a memória dita, ou baseando-se em regras (o que já chamamos anteriormente de intuição, flexibilidade, observação e mudança, beta permanente)
  4. Competências transculturais.  É necessário recuperar a função do antropólogo nos meios sociais. 
  5. Pensamento computacional. Também relacionado com a intuição, flexibilidade, observação e mudança, beta permanente. 
  6. Alfabetização em “novos” meios. (quanto ao formato, mas sobretudo quanto ao seu caráter interativo, social, que os aproxima das tradicionais ciências sociais). 
  7. Transdiciplinariedade. Aproximamo-nos, acredito, a perfis profissionais mais amplos do que nunca antes. (A importância reside no projeto concreto de estudo, que sempre requererá, além do mais, uma equipe multidisciplinar enredada). 
  8. Mentalidade orientada ao design (Design Mindset)
  9. Gestão da carga cognitiva: Entendida como a capacidade de discriminar e filtrar a informação por ordem de importância, e para entender como aproveitar o máximo o funcionamento cognitivo mediante uma variedade de ferramentas e técnicas. (Desde o documentalista ao “curador” de conteúdos aos especialistas em produtividade).
  10. Colaboração virtual.

Apesar de ser consciente de que pesquisas recentes em usabilidade observam que nas telas lemos em F e que muitos de vocês não chegarão a este ponto da entrada, desenvolvo a partir daqui uma prospecção das profissões do futuro, que também terão a ver com algumas dessas habilidades ou competências, mas que acredito que, por sua importância, terão entidades como profissões em si mesmas.

Trata-se de estender o trabalho do Institute for the Future e aventurar uma primeira aproximação ao tema. Estas poderiam ser, junto com o Community Manager, as novas profissões para a sociedade aumentada, para a nova hiper sociedade:

1-Analista de dados, relacionada com a visualização, as possibilidades crescentes para o estudo social, mas também para outras muitas disciplinas do que também se denomina “Datamining” e que trata da nova abundância de dados para monitorar, descrever, estudar e predizer que gera um mundo conectado.

2-Psico-comunicador social, do ser humano conectado, em constantes processos de comunicação, especialista em persuasão e influência e conhecedor das diferenças psicológicas entre o indivíduo social e o novo indivíduo conectado. Venho a um tempo pensando que, em um contexto de mídias sociais, de auto-comunicação de massas, como nos dizia Castells, de indivíduos conectados convertidos em meios, a comunicação se faz indistinguível da psicologia social, tornando necessário o surgimento de uma disciplina híbrida entre ambas.

O perfil é similar ao que entendemos por Community Manager, mas muito mais ligado aos processos de participação e menos às características concretas de cada marca da rede social virtual. Também resulta, obviamente, parte fundamental da tarefa do community, de forma que, segundo me consta, alguns programas universitários em comunicação já estão dando algum espaço a este aspecto.

3-Prospector de negócio, Inovador, capaz de criar novos modelos de negócio, novas oportunidades. Tem a ver com a observação e a flexibilidade e está intimamente relacionado com o analista de dados, executando, pondo em prática as idéias que derivam da observação objetiva da riqueza de indícios, indicadores, tendências, etc. na web.

4-Inovador – Empreendedor social: Similar, mas vinculado ao ativismo, ligado à reestruturação ou reinvenção desta nova sociedade de indivíduos conectados na qual não só aumentam as possibilidades de conhecer o que somos, mas também projetar o que queremos chegar a ser.

5-Antropólogo intercultural, do ser humano conectado: Quando os negócios estão cada vez mais globalizados, a análise cultural é importante e pode significar o sucesso ou fracasso de qualquer mensagem nas mídias sociais. A antropologia, para o indivíduo conectado com as mais diversas culturas, segue sendo fundamental.

6-Curador de conteúdos, que falamos muito aqui em ocasiões anteriores.

7-Organizador da inteligência coletiva, muito parecido com o psico-comunicador social, mas orientado para os resultados, a obtenção de conhecimentos úteis para a organização. Também o professor tradicional deveria incluir em suas atividades, como vimos em outras ocasiões, esse importante aspecto. Em todas as profissões criativas, creio eu, é necessário deixar de ver a internet como inimiga e começar a explorar as possibilidades da inteligência e a criatividade coletivas.

8-Especialista em aprendizado

Para a educação, como já foi dito antes, o aprendizado, o estudo dos processos cognitivos e motivacionais ligados ao mesmo, se convertem em centrais. Quando é possível monitorar e aplicar analíticas, programar feedbacks de aprendizagem online, tornando muito mais poderoso o aprendizado autônomo, quando a longevidade nos leva a pensar em aprendizados para a vida toda e o importante é saber solucionar o que chamo de “brecha no aprendizado”, a falta de vontade de aprender em cada etapa vital, o estudo dos processos tanto da motivação como da aquisição de novos conhecimentos, a nível científico, a partir da psicologia experimental ou a neurobiologia se fazem fundamentais.

São muitos os novos dados que poderemos analisar e, portanto existe muito que podemos aprender sobre como aprendem e /ou se motivam para aprender os seres humanos. Tudo isso sem esquecer os fatores sociais e culturais também, do aprendizado, que podem ser medidos, como víamos, também com maior precisão.

A profissão de educador, de professor, de gestor da formação, se vincula com mais força ao estudo de como se adquire e transmite o conhecimento, necessita da ciência em maior escala que nunca. O especialista em aprendizado, sua base científica e seu vínculo especial com a psicologia experimental e cognitiva, são imprescindíveis.

9-Especialista em participação

É importante que em tempos de mudança como o que vivemos, e como também já dissemos em várias ocasiões, educar para uma participação que não se produz espontaneamente nem em todas as gerações, nem com a qualidade desejada. O vimos ao falar do 15M: o que vivemos é uma eclosão das possibilidades de participação na web em que os jovens, e não alguns políticos, conhecem, desejam e reivindicam. Em um futuro de democracia 2.0, realmente participativa, de gestão política e não só discussões nas redes sociais, a falta de participação seria realmente grave.

No final, quanto maiores as possibilidades que nos abrem as redes sociais, quanto maior for a promessa de nos estabelecermos, como sociedade e como indivíduos, maior, e mais grave se torna a possibilidade de ficar excluído. O especialista em participação será mestre em mostrar as possibilidades de formação, subsistência, crescimento pessoal, mudança social, ganho de poder no geral que um uso adequado da web é capaz de proporcionar a cada perfil de população, solucionando assim uma brecha de uso (não uso a web porque não cobre nenhuma das minhas necessidades atuais) que não é muito conhecida.

Publicado por: Dolores Reig

Em:http://www.dreig.eu/caparazon/2011/07/13/9-nuevas-profesiones-hipersociedad/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+caparazon+%28caparazon%29

Data: 14/07/2011

 

 

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